Pequenos fabricantes e produtos artesanais ganham força em Minas

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Empresas de menor porte estão marcando presença nos supermercados. Em cinco anos, crescimento da participação de seus produtos no faturamento dos supermercados foi de 50%

Grandes redes do varejo estão deixando de ser território exclusivo de megafabricantes e multinacionais e já dividem os bons espaços disponíveis nas prateleiras com pequenos fornecedores regionais. De utensilhos domésticos feitos de jornal reciclado em Betim, na Grande BH, aos pastéis de angu de Itabirito, na Região Central do Estado, centenas de itens produzidos em pequena escala estão invadindo os supermercados. Em Minas a participação dos fornecedores de pequeno e médio porte já representa 15% do faturamento das redes, crescimento de 50% nos últimos cinco anos, segundo levantamento da Associação Mineira de Supermercados (Amis).

Com mais dinheiro no bolso o consumidor tem procurado não só itens tradicionais e commodities mas levam no carrinho também as “pequenas manufaturas”. Mais que a garantia de grande impacto nos lucros, os supermercados funcionam como vitrine, na qual os pequenos se mostram nas gôndolas e desenvolvem estratégia de marketing para deslanchar em outras praças.

A chave para entrar nas grandes redes está no charme da fabricação artesanal, como existente na produção do pastel de angu, que inspirou a família do empresário Heron Lídio Oliveira. A margem de lucro com o produto vendido aos supermercados não costuma ultrapassar 6%, mas o retorno é forte. “Antes de entrarmos em redes importantes de supermercados, 80% do nosso público consumidor nunca havia ouvido falar do pastel. Hoje a maioria conhece o produto”, afirma Heron.

Com a mercadoria certa nas mãos, há outras exigências: ter logística e verba para promover o produto dentro das redes e prazos cumpridos fazem parte do intricado caminho das pedras que pequenos produtores vêm conseguindo trilhar. “Para entrar é preciso ter uma estratégia de marketing acertada. Testar o produto primeiro em estabelecimentos menores, depois fornecer para poucas lojas de uma mesma rede, ir crescendo aos poucos e ganhando experiência na escala e na logística, aperfeiçoando a qualidade. Não dá para entrar em um supermercado de cima para baixo, competindo com commodities”, diz Adilson Rodrigues, superintendente da Amis. Ele acredita que o espaço está aberto e que os pequenos e médios fornecedores têm condições de ampliar a participação, atingindo 40% do faturamento das redes.

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